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Notícias da Saúde em Portugal 850
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Descoberta a razão porque os antibióticos falham contra uma doença comum nos implantes dentários
O JornalDentistry
Os implantes dentários proporcionaram a dezenas de milhões de pessoas algo que as próteses dentárias nunca conseguiram: uma arcada dentária completa, fixa e totalmente funcional.
Infelizmente, 10% a 20% dos pacientes com implantes acabam por desenvolver uma infeção óssea agressiva na mandíbula, chamada peri-implantite.
Os antibióticos geralmente não conseguem travar a infecção por razões que os investigadores nunca compreenderam – até agora.
Um novo estudo publicado na PNAS Nexus, realizado por investigadores da Escola de Medicina Dentária de Rutgers, descobriu que as bactérias corroem os implantes, fazendo com que libertem partículas microscópicas de titânio para o tecido circundante. Estas partículas sequestram as células imunitárias enviadas para combater a infeção e prendem-nas num estado inflamatório que destrói o osso da mandíbula que deveriam proteger.

No interior da gengiva, estas partículas são revestidas por uma toxina bacteriana chamada lipopolissacárido. Para o sistema imunitário, de repente parecem bactérias enormes e indigestíveis. Os macrófagos, um tipo de glóbulos brancos que envolve e mata os microrganismos, englobam-nas, mas não conseguem digerir o metal. As células ficam retidas num estado hiperinflamatório, libertando moléculas sinalizadoras, incluindo a interleucina-1 beta, uma proteína inflamatória também implicada na artrite reumatoide e na doença de Alzheimer.
Esta inflamação corrói o osso. Pior ainda, as células imunitárias perdem a capacidade de lidar com a infeção original. Em laboratório, os macrófagos expostos a partículas de titânio absorveram menos de metade das bactérias que as células não expostas.
Para as pessoas que já têm implantes, a descoberta mais útil pode ser mais discreta. O fator de proteção mais forte conhecido é a limpeza profissional regular, mas o tipo de limpeza importa. Até há cerca de uma década, muitos dentistas raspavam os implantes com os raspadores de metal utilizados nos dentes, um método que o laboratório de Rutgers e outros demonstraram que pode corroer o implante e acelerar a doença. As técnicas não abrasivas são agora padrão.
SPMS participa nas Jornadas ERS 2026
SNS
O presidente do Conselho de Administração da SPMS, Luís Goes Pinheiro, participou em duas sessões das Jornadas ERS – Direitos e Deveres dos Utentes dos Serviços de Saúde.
Sob o mote “5 anos, 5 temas”, a 5.ª edição das Jornadas da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) realizou-se na semana passada. Incluiu sessões matinais focadas em consentimento informado, Linha SNS 24, literacia, entre outros temas.
Na sua intervenção, dedicada ao tema “O acesso a cuidados de saúde através da Linha SNS 24”, o presidente da SPMS sublinhou a evolução do serviço como exemplo de transformação digital, assente na integração entre tecnologia, profissionais de saúde e novos modelos de atendimento. O serviço tem registado um crescimento sustentado e assume hoje uma função central no acesso aos cuidados de saúde.

O dirigente deu nota do crescimento da Linha SNS 24 nos primeiros meses de 2026, cerca de 13% face ao ano anterior, e do contributo da Linha para reduzir a pressão nas urgências hospitalares. Atualmente, o SNS 24 integra mais de cinco mil profissionais. A aposta contínua na inovação tem permitido o desenvolvimento de novas soluções, como o sistema de callback, ferramentas de pré-triagem automatizada e o reforço do uso de algoritmos inteligentes.
Luís Goes Pinheiro participou também como orador no painel “Inteligência Artificial e proteção dos direitos dos utentes: riscos e boas práticas no terreno”, no qual abordou os desafios e oportunidades da integração de soluções de inteligência artificial no contexto da prestação de cuidados de saúde, com enfoque na proteção dos direitos dos utentes.
O presidente da SPMS destacou ainda o cumprimento das recomendações da ERS, nomeadamente ao nível do agendamento nos cuidados de saúde primários, da integração de sistemas e da monitorização contínua dos serviços.
A sessão contou com a participação de especialistas da ERS, da Direção Executiva do SNS, da ULS Viseu Dão-Lafões e do INEM, reforçando o debate sobre o acesso e a inovação nos cuidados de saúde.
Mais de 60% usam IA para apoio em saúde mental, mas muitos não estão satisfeitos, revela inquérito
EURONEWS
Com o aumento da ansiedade, do stress e da depressão a nível mundial, um novo inquérito indica que cada vez mais pessoas recorrem a chatbots de IA para apoio psicológico, apesar de dúvidas sobre a qualidade da ajuda.
Mais de seis em cada dez pessoas recorrem à inteligência artificial (IA) para obter conselhos sobre saúde mental, embora 45% se declarem insatisfeitas com as orientações que recebem, revela um novo inquérito da AXA e da IPSOS.
A edição mais recente do relatório anual Mind Health conclui que 68% das pessoas são potencialmente afetadas por ansiedade, stresse ou depressão, ainda que em níveis ligeiros. Entre os 18 e os 24 anos, a percentagem sobe para 85%.
O estudo foi conduzido pela seguradora de saúde AXA e pela multinacional de estudos de mercado IPSOS. A análise teve por base entrevistas a 19 000 adultos entre os 18 e os 75 anos, em 18 países, realizadas entre 12 de janeiro e 16 de fevereiro de 2026.
Os investigadores apuraram que 46% das pessoas dizem estar a enfrentar dificuldades ou num estado de apatia. O sentimento mais referido foi o de se sentirem “em baixo e sem ânimo”, opção assinalada por 65% dos inquiridos.
Jovens são os mais afetados
Por faixa etária, os jovens dos 18 aos 24 anos revelam maiores dificuldades. Cerca de 43% estão potencialmente afetados por depressão, ansiedade ou stresse em níveis graves ou muito graves, quase o dobro da média global, que é de 26%.
O estudo conclui que os mais jovens apresentam características próprias na forma como falam abertamente sobre saúde mental, procuram ajuda e utilizam ferramentas para lidar com os problemas.
O que está por detrás da deterioração da saúde mental?
O uso de ecrãs e da tecnologia foi identificado no estudo como um dos principais fatores que contribuem para uma pior saúde mental.
“As pessoas reconhecem que a forma como utilizam os ecrãs está a afetar múltiplas dimensões da sua vida e mais de um terço diz que isso está a aumentar o isolamento social”.

Tecnologia: parte do problema ou da solução?
O estudo identificou vários obstáculos ao acesso a cuidados de saúde mental, entre os quais o custo e a falta de tempo.
“Preocupa-nos o facto de, entre as pessoas com dificuldades, 43% afirmarem não ter recebido qualquer ajuda profissional nos últimos 12 meses, e esse número é bastante alarmante”, sublinhou Morin.
“Não procuraram ajuda porque muitas, ainda mais de um quarto, consideram que não há necessidade de acompanhamento médico”, acrescentou.
Além do acompanhamento médico profissional, o estudo mostra que as pessoas recorrem cada vez mais a soluções de autogestão, como a prática de atividade física, o contacto com familiares e amigos e o uso de IA.
Cerca de 63% dos participantes disseram utilizar ferramentas baseadas em IA, como o ChatGPT e outros bots, para colocar questões relacionadas com saúde mental.
Cerca de 38% afirmaram confiar mais nas plataformas de IA do que nos profissionais de saúde mental, apesar de a maioria dos utilizadores de IA dizer não estar satisfeita com as respostas fornecidas pelos chatbots.
No entanto, El Shaarany salientou que recorrer a chatbots de IA para apoio em saúde mental não significa necessariamente utilizar plataformas de uso geral.
“Se usar o ChatGPT ou o Gemini, são modelos gerais de IA que não foram concebidos para isso. É como falar com um amigo que sabe qualquer coisa sobre o assunto, mas não com um médico”, afirmou.
Segundo El Shaarany, as plataformas de IA devem ter mecanismos de proteção capazes de identificar sinais de alerta que exijam tratamento específico ou de os encaminhar e sinalizar aos profissionais de saúde adequados.
Ministra da Saúde denuncia pressões de corporações, lóbis e "gente de toda a espécie": "Enfrentamos interesses poderosos que, a seu tempo, os portugueses conhecerão"
CNN
"Não estamos cá para servir uma multiplicidade de interesses e mordomias", escreve Ana Paula Martins no Público. Sobre os administradores hospitalares que foram demitidos, considera que "mandariam a decência e a dignidade" que se tivessem eles demitido
"Enfrentamos interesses poderosos que, a seu tempo, os portugueses conhecerão", avisa (e justifica-se) Ana Paula Martins, ministra da Saúde. "Não estamos cá (...) para servir uma multiplicidade de interesses e mordomias".
É por causa desses interesses poderosos que o governo é "alvo de crítica fácil" e que "a mudança não é a desejada" e acontece "mais devagar do que gostávamos", prossegue a governante. Por isso e por causa da máquina do Estado: "Queríamos fazer mais rápido. Mas as diversas ineficiências da máquina do Estado impedem que assim seja".
A denúncia não é concretizada mas fica sugerida como sendo de corporações e lóbis, por sua vez ancorados em quem governava e agora está na oposição: o Partido Socialista. Ana Paula Martins não o explicita, mas a referência é clara, quando escreve sobre "quem no passado decidia" e agora entende que "deve continuar a decidir-se de forma igual", nisso incluindo a “soberba” de quem se acha “iluminado”.
“O SNS é dos portugueses. Não cede a interesses cristalizados ou a qualquer corporação.” Ana Paula Martins.
Estas frases constam de um artigo de opinião da ministra da Saúde publicado no jornal Público.
Nela, a ministra da Saúde insiste que, ao contrário das percepções, a Saúde não está pior, mas melhor - e a mudar:
Tentam levar os portugueses a pensar que “o rei vai nu”. Ora, no caso do presente Governo, mais devagar do que gostávamos, mas seguramente, o rei vem sendo vestido e o caminho que traçamos vai deixar aos portugueses um SNS eficaz no serviço que presta, sério na gestão e atractivo para reter profissionais de qualidade".

A ministra diz-se vítima de "gente de toda a espécie" que usa "discursos envolventes apelando ao afecto, misturados com falsidades e vãs promessas", que podem "gerar comentários jocosos e críticos daqueles que falam para si mesmos e para os seus grupos de WhatsApp".
Entre as "falsidades publicadas", Ana Paula Martins enumera que "as urgências fluem melhor, já não há sete, oito ou até 12 fechadas" nem "há o caos que encontrámos na gestão das mesmas"; o director executivo não foi demitido por estar ligado ao anterior governo, garante; e quanto aos dirigentes dos conselhos de administração demitidos, diz, eles não estavam a cumprir a política do Governo, donde "mandariam a decência e a dignidade individuais que se demitissem e não se sujeitassem a estar em funções contra a sua consciência".
Sobre o INEM, Ana Paula Martins é contundente, criticando "a falta de vergonha de quem tenta enganar os portugueses", pois nos oito anos anteriores a março de 2024 "o INEM tinha perdido 35% dos seus quadros e não tinha havido qualquer concurso de recrutamento de técnicos" nem existiam helicópteros do INEM "quando entrámos em funções".
De novo os lóbis e a burocracia:
"Os interesses empresariais são muitos, quase sempre legítimos, mas os interesses dos portugueses tinham de ser acautelados, e, com sinceridade, a máquina burocrática fez-nos incumprir no tempo. Mas no momento de crise, e com o apoio da Força Aérea, conseguimos suprir necessidades. Nunca vi ou ouvi dizer que o ministro da Defesa e a ministra da Saúde fizeram o que deviam. O concurso foi legalmente feito, os helicópteros estão em funcionamento e a empresa que incumpriu pagou as penalidades. O INEM funciona.
Ana Paula Martins conclui: "Estou ministra da Saúde enquanto o primeiro-ministro assim entender e enquanto sentir que estou a mudar algo para melhor".
Parece inofensivo, mas não. O hábito que aumenta o risco de cancro oral
SAPO
Um estudo publicado em 2025 concluiu que o consumo diário de bebidas açucaradas pode estar associado a um maior risco de cancro oral, mesmo em pessoas sem comportamentos associados à doença, como o tabaco.
Se gosta de bebidas como refrigerantes, chás e sumos fique atento. Um estudo publicado em 2025 no JAMA Otolaryngology - Head & Neck Surgery descobriu que existe uma relação entre o consumo deste tipo de bebidas e o aumento do risco de cancro oral.
Como foi feito o estudo
Os pesquisadores, conforme noticia o EatingWell, analisaram os hábitos de consumo de bebidas e os resultados de saúde em mais de 160 mil mulheres. As que participaram no estudo tinham um idade média de 43 anos no início da pesquisa - sendo que os investigadores tiveram acesso a dados de 30 anos de acompanhamento das mesmas.
Também foram recolhidas informações sobre tabagismo, etnia, consumo de álcool, índice de massa corporal, idade, entre outros fatores importantes de influência.
Para efeitos deste estudo, as bebidas adoçadas com açúcar foram definidas como refrigerantes com e sem cafeína com açúcar. O mesmo aplicou-se a bebidas com e sem gás.

O estudo teve como objetivo examinar a crescente prevalência de cancro de cavidade oral em jovens, mesmo naqueles sem comportamentos associados ao cancro, como o tabaco.
Os pesquisadores observaram um aumento no número de casos relatados em mulheres não fumadoras, o que levou os autores do estudo a investigar possíveis fatores contribuintes.
Os autores também mencionam que o risco basal de desenvolver cancro oral é baixo, por isso é importante que as pesquisas continuem para que haja uma compreensão mais concreta da ligação entre o risco geral e o consumo de bebidas. O tamanho da amostra também foi limitado a mulheres, portanto, um estudo mais amplo que inclua homens seria útil.
Conclusão do estudo
Embora sejam necessárias mais pesquisas para confirmar essas descobertas, vale a pena levá-las em consideração ao analisar os seus hábitos de consumo de bebidas.
Se, porventura, quer reduzir o consumo de bebidas açucaradas, então pode substitui-las por alternativas mais saudáveis, como chás (sem adoçantes) ou águas aromatizadas.

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