Notícias da Saúde em Portugal 852

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Indisponibilidade do medicamento Tromalyt 150 mg

INFARMED I.P.

Circular Informativa n.º 055/CD/100.20.200 de 04/06/2026.

O medicamento Tromalyt, ácido acetilsalicílico 150 mg, cápsula de libertação modificada, encontra-se em rutura de stock, por motivos relacionados com o fabrico, até 31/07/2026.

Este medicamento, classificado como antiagregante plaquetário, encontra-se indicado para a prevenção secundária da cardiopatia isquémica e para a prevenção secundária de acidentes vasculares cerebrais.

Para garantir a continuidade do tratamento dos doentes e evitar que estes se tenham de deslocar novamente ao médico, será temporariamente permitida a sua substituição, em prescrições já emitidas e válidas, pelas apresentações contendo ácido acetilsalicílico, 150 mg, na forma farmacêutica comprimido (CNPEM 50055070) e comprimido gastrorresistente (CNPEM 50057103). De notar que estas apresentações não são comparticipadas.

A dispensa de medicamentos contendo ácido acetilsalicílico 150 mg, deve ser efetuada apenas para 1 mês de tratamento e mediante consulta do histórico do doente, para que a quantidade disponível possa colmatar as necessidades dos doentes.

Para que seja possível garantir uma gestão criteriosa das quantidades disponíveis, as farmácias devem abster-se de dispor de quantidades elevadas destes medicamentos em stock.

O Infarmed continuará a acompanhar esta situação e a atualizar esta informação sempre que se justifique.

Pode consultar a Circular Informativa aqui.

Investigação detalha um esquema de exercício ilegal de medicina estética

CMTV

A investigação do programa "Doa a Quem Doer", da CMTV, emitida a 5 de junho e conduzida pela jornalista Tânia Laranjo, revelou um alegado esquema desenvolvido por uma esteticista na Madeira que se apresentaria como médica e professora, promovendo procedimentos estéticos e ações de formação sem que existam provas públicas das qualificações que anunciava.

Segundo a reportagem, a mulher utilizava o título de "doutora" e divulgava nas redes sociais tratamentos e procedimentos estéticos que, de acordo com especialistas ouvidos pelo programa, exigem formação específica e, em alguns casos, acesso a produtos normalmente reservados a profissionais de saúde habilitados. A investigação refere ainda que eram comercializados cursos e formações apresentados como licenciaturas e mestrados, nos quais a própria assumiria funções de docente em diversas disciplinas.

O programa recolheu testemunhos de várias alegadas vítimas que afirmam ter pago centenas de euros por formações e certificações cuja validade é questionada. Numa das peças da investigação, é referido o caso de uma pessoa que terá pago cerca de 900 euros por um suposto mestrado que não possuía reconhecimento académico oficial.

A reportagem apresentou também depoimentos de clientes que afirmam ter sofrido consequências após procedimentos estéticos realizados pela suspeita. Entre os relatos divulgados está o de uma vítima que alegadamente ficou com marcas no rosto após a aplicação de uma substância cuja utilização é proibida em Portugal.

Ao longo da investigação foram igualmente ouvidas pessoas que afirmam conhecer outras alegadas vítimas e que denunciaram os casos através das redes sociais, contribuindo para a divulgação pública das queixas. O programa refere a existência de múltiplas denúncias e processos apresentados às autoridades relacionados com alegadas burlas, falsas qualificações e procedimentos estéticos.

A peça central da investigação conclui que a suspeita terá construído uma imagem pública assente em credenciais académicas e profissionais cuja autenticidade é contestada, levando clientes e formandos a acreditar que estavam perante uma profissional de saúde devidamente habilitada. A mulher foi confrontada pela equipa do programa com as acusações apresentadas durante a investigação.

Até ao momento da emissão da reportagem, as acusações divulgadas encontravam-se sob apreciação das autoridades competentes, não sendo conhecidas decisões judiciais definitivas sobre os factos investigados.

Farmácias vão receber 30 euros mensais por cada beneficiário em programa de metadona

JN

As farmácias que dispensem e administrem metadona no âmbito dos programas de tratamento da dependência vão receber 30 euros por mês por cada beneficiário acompanhado, segundo uma portaria publicada, na passada sexta-feira, em Diário da República.

O diploma, que entrou em vigor no passado sábado, regulamenta a remuneração devida às farmácias de oficina pela prestação de serviços ao abrigo de programas de tratamento da dependência de opioides ou de outras substâncias psicoativas.

De acordo com a portaria, a remuneração é atribuída às farmácias de oficina que participem nestes programas, nomeadamente no Programa de Tratamento com Cloridrato de Metadona em Farmácias Comunitárias.

A portaria estabelece que podem aderir aos programas as farmácias de oficina legalmente autorizadas, que cumpram as condições estruturais, de segurança e funcionamento exigidas pela legislação.

Assim, devem dispor de farmacêuticos com formação adequada para a prestação dos serviços previstos nos programas, nomeadamente assegurar "o registo, tratamento e transmissão da informação de saúde dos beneficiários nos sistemas definidos pelo ICAD, em conformidade com as regras de proteção de dados pessoais e sigilo profissional".

A adesão aos programas é voluntária e depende da aceitação dos termos e condições definidos pelo ICAD, refere a portaria assinada pelos ministros das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, e da Saúde, Ana Paula Martins.

Os programas de tratamento da dependência consistem na dispensa e administração de opioides ou de outras substâncias psicoativas pelas farmácias de oficina, conforme o regime terapêutico prescrito, em saquetas unidose ou em comprimidos ou por combinação de saquetas e comprimidos.

As farmácias aderentes devem assegurar a administração supervisionada da medicação de acordo com o regime terapêutico estabelecido, bem como a monitorização contínua da adesão terapêutica e a deteção precoce de reações adversas ou de outros eventos clínicos relevantes.

A execução dos programas inclui ainda a colaboração das farmácias na recolha de informação para fins de avaliação clínica e científica, bem como o registo eletrónico das administrações, dispensas e eventuais incidentes clínicos.

O Governo refere na portaria que os Estatutos do SNS consagram os princípios da proximidade assistencial, da integração de cuidados e da articulação em rede, defendendo o desenvolvimento de respostas de proximidade às necessidades assistenciais em todos os níveis de prestação de cuidados.

A medida surge na sequência de um protocolo de colaboração celebrado em 24 de novembro de 2025 entre o ICAD, o Infarmed, a Ordem dos Farmacêuticos, a Associação Nacional das Farmácias e a Associação de Farmácias de Portugal.

Pode a saúde oral estar a afetar a fertilidade?

Notícias Saúde

Um novo estudo, publicado no Journal of Dental Research, mostra que a inflamação persistente na cavidade oral pode prejudicar a função ovárica, reduzir a qualidade dos óvulos e, em última análise, diminuir as taxas de fertilidade. Descobertas que apontam para uma possível associação entre a saúde oral e a infertilidade inexplicada, abrindo novas perspetivas para futuros tratamentos.

Em laboratório, num modelo animal, os investigadores descobriram que a inflamação não se restringe à cavidade oral, mas desencadeia uma resposta imunitária sistémica que atinge os ovários, com consequências significativas: a inflamação oral crónica nos animais foi associada a níveis elevados de citocinas inflamatórias nos ovários, juntamente com alterações nas populações de células imunes. Isto foi acompanhado por danos oxidativos no tecido ovárico, comprometimento do desenvolvimento folicular e redução da qualidade dos ovócitos.

Estas alterações biológicas traduziram-se em resultados reprodutivos mensuráveis, com taxas de nados-vivos marcadamente reduzidas observadas em condições inflamatórias.

O estudo também identificou efeitos celulares mais profundos. Os ovócitos apresentaram danos no ADN e alterações epigenéticas semelhantes às observadas no envelhecimento reprodutivo, apontando para um possível mecanismo pelo qual a inflamação acelera o declínio da fertilidade.

“A inflamação é frequentemente considerada uma resposta localizada, mas as nossas descobertas mostram que pode ter consequências sistémicas que se estendem até ao sistema reprodutivo”, refere Michael Klutstein, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém. “Este estudo sugere que a inflamação oral crónica pode ser um fator subestimado na infertilidade feminina, contribuindo potencialmente para casos que atualmente não têm uma explicação clara.”

As descobertas reforçam as crescentes evidências de que a saúde oral está intimamente associada à saúde geral. As condições inflamatórias orais crónicas, como a periodontite, são comuns e já foram associadas a uma série de doenças sistémicas.

Os investigadores observam que mais investigação em ambientes clínicos será essencial para determinar como estas descobertas se traduzem no atendimento ao doente. A confirmar-se, o estudo poderá abrir novos caminhos para o diagnóstico e tratamento, incluindo o uso de abordagens anti-inflamatórias ou antioxidantes para melhorar os resultados de fertilidade.

Nova "vacina universal" concebida com IA poderá proteger humanidade contra vírus desconhecidos

EURONEWS

Uma nova vacina concebida com recurso à IA, capaz de conceder proteção contra famílias inteiras de vírus, poderá transformar a forma como o mundo se prepara para uma futura pandemia.

Uma equipa de investigadores britânicos, liderada por cientistas das universidades de Cambridge e Southampton, no Reino Unido, desenvolveu a primeira vacina concebida inteiramente por inteligência artificial (IA) a ser testada em seres humanos.

“Vírus como o da gripe, os coronavírus e o grupo do Ébola estão em constante evolução e, quando as vacinas são lançadas, podem já não ser adequadas – o atual sistema de vacinas 'reativo' tem dificuldade em acompanhar o ritmo”, afirmou Saul Faust, professor na Universidade de Southampton e investigador principal do ensaio.

Nos últimos anos, ocorreram múltiplos surtos causados pelo betacoronavírus, sendo o mais significativo deles o que causou a pandemia de covid-19. A circulação contínua destes vírus levou à mutação dos agentes patogénicos e ao surgimento de novas variantes.

Reconhecendo a necessidade de vacinas que possam oferecer uma cobertura mais ampla contra mutações perigosas, tanto atuais como futuras, a equipa desenvolveu um novo tipo de vacina que oferece proteção duradoura contra uma vasta gama de vírus, tais como o Ébola ou o grupo dos coronavírus, mesmo quando estes sofrem mutações.

“Transformámos o desenvolvimento de vacinas: deixou de ser reativo para passar a estar preparado para o futuro”, disse Jonathan Heeney, professor no Laboratório de Zoonoses Virais da Universidade de Cambridge e responsável científico da investigação.

Como foi utilizada a IA?

Para criar esta vacina, os investigadores utilizaram um componente ativo inteiramente concebido por IA, conhecido como "superantigénio".

Este utiliza uma proteína concebida por computador que imita características comuns a vários coronavírus, em vez de se direcionar para uma única estirpe específica, o que permite que o sistema imunitário do organismo combata uma vasta gama de agentes patogénicos com essas características básicas.

A equipa utilizou todos os dados de sequências genéticas disponíveis para os coronavírus Sarbeco — vírus zoonóticos que circulam principalmente em morcegos e podem ser transmitidos a humanos ou outros mamíferos — registados em programas de monitorização em todo o mundo, e depois aplicou "machine learning" para criar o superantigénio.

Sem necessidade de agulhas

Outra novidade é que esta vacina não requer agulhas. É administrada através de um jato microfluídico que impulsiona o antigénio diretamente para a pele por meio de um jato de líquido a alta velocidade.

Estas vacinas são também, em geral, mais termoestáveis do que as alternativas de mRNA e não requerem logística de cadeia de frio extremo, tornando-as adequadas para utilização em países de rendimento baixo e médio e em cenários de resposta rápida.

Quais são os próximos passos?

Este primeiro ensaio envolveu um pequeno número de participantes e foi concebido para avaliar a segurança, a tolerabilidade e a resposta imunitária desencadeada.

Entre dezembro de 2021 e setembro de 2023, 39 voluntários foram vacinados. A vacina foi bem tolerada em todas as quatro doses, sem que tenham sido relatados problemas de segurança significativos, afirmaram os investigadores.

"O notável sucesso deste ensaio com o 'superantigénio' concebido por IA marca um avanço crucial na nossa capacidade de proporcionar uma proteção viral ampla e duradoura", afirmou a professora Marian Knight, diretora científica do Instituto Nacional de Investigação em Saúde e Cuidados (NIHR) do Reino Unido.

Na sequência destes resultados bem-sucedidos, os investigadores irão agora iniciar um ensaio clínico de fase 2 para avaliar a capacidade da vacina de induzir respostas imunitárias numa população mais ampla e diversificada e confirmar que esta gera uma imunidade forte e amplamente protetora.

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