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Notícias da Saúde em Portugal 857
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Medicamento experimental mostra resultados inéditos contra a hepatite B crónica
SIC Notícias
Os investigadores estão otimistas quanto à possibilidade de se manter o vírus sob controlo sem tratamento.
Um medicamento experimental para a hepatite B crónica permitiu que cerca de 20% dos doentes interrompessem todos os tratamentos sem que o vírus voltasse a ser detetado. Os investigadores estão otimistas quanto à possibilidade de se manter o vírus sob controlo sem tratamento.
Em dois ensaios clínicos internacionais, 1 em cada 5 doentes que receberam o medicamento experimental viu a sua carga viral reduzida para níveis suficientemente baixos para que o sistema imunitário a mantivesse sob controlo.
Este resultado, que os investigadores descrevem como uma “cura funcional” da doença, foi apresentado num congresso científico em Barcelona e publicado na revista científica New England Journal of Medicine.
O que significa “cura funcional”?
Ao contrário de uma cura definitiva, a cura funcional não elimina completamente o vírus do organismo. Em vez disso, reduz a sua atividade para níveis tão baixos que o sistema imunitário consegue mantê-lo sob controlo sem necessidade de medicação contínua.
O que é a hepatite B?
A hepatite B crónica é uma infeção viral que afeta o fígado e pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou cancro do fígado. Segundo os investigadores, provoca cerca de 1,1 milhões de mortes por ano em todo o mundo.
O vírus transmite-se através do contacto com sangue ou outros fluidos corporais e também pode passar da mãe para o bebé durante o parto. Existe uma vacina altamente eficaz que previne a infeção. Em Portugal, a vacina está integrada no Programa Nacional de Vacinação desde 1995.
Embora muitas pessoas eliminem o vírus após uma infeção aguda que dura alguns meses, mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo desenvolvem uma infeção crónica. Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 1,7 milhões de pessoas vivam com a doença. Em Portugal, a hepatite B afeta cerca de 1 a 1,5 por cento da população.
Atualmente, o tratamento baseia-se sobretudo em medicamentos tomados diariamente que reduzem a multiplicação do vírus e diminuem o risco de lesões hepáticas.
No entanto, estes tratamentos raramente permitem interromper a medicação porque o vírus consegue permanecer escondido em células do fígado e voltar a multiplicar-se quando a terapêutica é suspensa.

Como funciona o novo medicamento?
O medicamento experimental chama-se bepirovirsen, ou “bepi”, e está a ser desenvolvido pela GSK em parceria com a Ionis Pharmaceuticals.
Os ensaios clínicos envolveram 1.838 doentes. Durante seis meses, os participantes receberam semanalmente uma injeção de bepirovirsen ou placebo, mantendo simultaneamente os medicamentos habituais.
Se o vírus permanecesse indetetável durante seis meses após o fim das injeções, os doentes podiam também interromper a terapêutica convencional. Entre os que receberam o novo medicamento, cerca de
20% continuaram sem sinais detetáveis do vírus durante pelo menos mais seis meses após a suspensão de todos os tratamentos.
Os investigadores verificaram ainda que os participantes que iniciaram o estudo com níveis mais baixos da proteína de superfície apresentaram uma probabilidade ligeiramente superior de alcançar a cura funcional.
Ainda há perguntas por responder
Os cientistas continuam a tentar perceber porque é que apenas alguns doentes respondem desta forma ao tratamento.
Os efeitos secundários mais frequentes foram vermelhidão ou dor ligeira no local da injeção e aumentos temporários de enzimas hepáticas, um indicador de stress no fígado.
Apesar dos resultados promissores, especialistas independentes pedem cautela. Num editorial publicado no New England Journal of Medicine, Anna Lok, especialista em hepatologia da Universidade de Michigan que não participou na investigação, classificou os resultados como “um grande avanço”, mas salientou que são necessários mais estudos para determinar a duração deste efeito e avaliar o medicamento em doentes mais complexos.
Injeção pioneira contra o cancro vai ser testada em Portugal
SAPO
Portugal vai participar num ensaio clínico internacional de uma nova injeção contra o cancro da cabeça e do pescoço, que apresentou resultados considerados “sem precedentes” na fase inicial dos testes e que poderá agora avançar para uma fase mais alargada de investigação.
O estudo envolve vários países e integra a fase III do desenvolvimento do tratamento, que será testado em cinco hospitais portugueses, incluindo o IPO do Porto, o Hospital de Santa Maria, o Hospital de Gaia-Espinho, a CUF Descobertas e o Hospital de Portimão, segundo informação avançada pela comunicação social e por fontes ligadas ao projeto.
Em Portugal, o ensaio, revela o Jornal de Notícias, prevê a participação inicial de cerca de 15 doentes, num universo global que poderá chegar aos 500 participantes ao longo dos próximos anos. O recrutamento destina-se a pessoas com cancros da cabeça e do pescoço em estado avançado e que ainda não tenham sido submetidas a determinados tratamentos.
A nova terapêutica, administrada sob a forma de injeção, surge após resultados preliminares apresentados num congresso internacional de oncologia, onde foram observadas taxas significativas de redução tumoral em doentes tratados. Em alguns casos, registou-se mesmo o desaparecimento completo das lesões cancerígenas.
O investigador responsável pelo ensaio em Portugal adiantou que o primeiro doente deverá ser incluído já nas próximas semanas, sublinhando a importância da participação nacional neste tipo de estudos, que podem acelerar o acesso a terapias inovadoras.
O medicamento em estudo, conhecido como amivantamab, está também a ser investigado noutras patologias oncológicas e em diferentes combinações terapêuticas, sendo considerado uma das abordagens mais promissoras na oncologia de precisão.

Apesar do entusiasmo científico, os especialistas sublinham que se trata ainda de um ensaio clínico em fase experimental, sendo necessário avaliar a eficácia e segurança a longo prazo antes de qualquer eventual utilização generalizada.
A participação de Portugal neste tipo de estudos reforça a integração do país em redes internacionais de investigação clínica e pode permitir acesso precoce a tratamentos inovadores para doentes sem alternativas terapêuticas eficazes.
Campanha para ajudar quem precisa de medicamentos arranca em 500 farmácias
OBSERVADOR
15.ª edição da campanha solidária decorre até 26 de junho, para angariar apoios para o Programa abem: Rede Solidária do Medicamento. O objetivo passa por doar o troco a quem precisa.
Mais de 500 farmácias aderem a partir da passada segunda-feira à campanha “Dê troco a quem precisa”, iniciativa que convida a doar o troco das compras em farmácias para garantir acesso a medicamentos essenciais a famílias em situação de vulnerabilidade.
Desde 2016, esta iniciativa solidária apoiou mais de 46 mil pessoas a melhorarem a saúde e qualidade de vida, e dispensou mais de 3,6 milhões de embalagens de medicamentos, segundo comunicado da associação Dignitude, promotora da iniciativa.

A 15.ª edição da campanha solidária decorre até 26 de junho, para angariar apoios para o Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, em mais de 500 farmácias espalhadas pelo continente e regiões autónomas dos Açores e da Madeira.
Os beneficiários dos donativos são cidadãos e famílias em situação de comprovada carência socioeconómica, referenciados por entidades parceiras locais, como autarquias, IPSS, Cáritas e Misericórdias que integram uma rede colaborativa presente em todo o país.
Estes beneficiários têm acesso a um cartão abem que lhes permite comprar nas farmácias aderentes os medicamentos comparticipados prescritos, sem quaisquer custos.
“Queremos transformar um gesto simples num impacto real na vida de milhares de pessoas que enfrentam dificuldades no acesso à medicação”.
A associação emite recibos dos donativos no âmbito do Estatuto dos Benefícios Fiscais, informa ainda no comunicado.
Explosão de estudos científicos desafia médicos dentistas
DentalPro
Nunca se investigou tanto em Periodontologia e Implantologia como na atualidade. De acordo com os dados mais recentes da PubMed, a principal base de dados internacional de literatura biomédica, o número acumulado de artigos científicos publicados nestas duas disciplinas já ronda os 130 mil. Contudo, o dado que mais surpreende a comunidade médica é o ritmo vertiginoso deste crescimento: cerca de 44 mil estudos — o equivalente a um terço de toda a produção científica da história de ambas as especialidades — foram publicados apenas desde 2020.
Este avanço sem precedentes configura o que muitos especialistas consideram uma autêntica “época dourada” da investigação na área da saúde oral. “A aceleração torna-se ainda mais evidente quando analisamos a produção recente: só no ano de 2025, publicaram-se quase 9 mil artigos científicos relacionados com a Periodontologia e os Implantes Dentários”, destaca a Prof.ª Elena Figuero Ruiz, Professora Associada de Periodontologia e Vice-Decana de Qualidade e Relações Internacionais da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade Complutense de Madrid (UCM).
No entanto, esta avalanche informativa traz consigo um reverso da medalha: o enorme desafio de gestão do conhecimento para os médicos dentistas. A grande questão atual passa por saber como se manter atualizado e, acima de tudo, como conseguir separar a evidência científica robusta de publicações irrelevantes, enviesadas ou com falhas ao nível da metodologia.
Mais informação não se traduz em mais conhecimento
A rápida expansão do saber transformou radicalmente o quotidiano das clínicas. O aparecimento de novos biomateriais, técnicas de regeneração de tecidos orais, ferramentas de diagnóstico digital e uma biblioteca científica digital em constante atualização abrem portas a tratamentos de excelência. Contudo, a facilidade de acesso à informação não garante, por si só, decisões clínicas mais acertadas.
“Vivemos na era da Medicina Dentária Baseada na Evidência, mas também na era da sobrecarga de informação”, explica Elena Figuero. Na sua perspetiva, o maior risco reside em assumir que todos os artigos têm o mesmo valor científico. “Publicar mais não significa sempre publicar melhor. Se um clínico não souber interpretar criticamente um artigo, corre o risco de aplicar tratamentos baseados em estudos com metodologias falhas ou conclusões enviesadas”, adverte a investigadora.
Perante este cenário, os líderes do setor sustentam que a competência verdadeiramente diferenciadora no século XXI já não é o mero acesso aos dados, mas sim a capacidade de análise crítica e a aplicação fidedigna dos mesmos na cadeira clínica.

O papel da Inteligência Artificial: rapidez sem julgamento
A entrada em cena de ferramentas tecnológicas de vanguarda e da Inteligência Artificial (IA) veio acelerar ainda mais este processo. Hoje, qualquer clínico ou investigador consegue localizar revisões sistemáticas e ensaios clínicos em poucos segundos, poupando semanas de pesquisa manual.
“As tecnologias de inteligência artificial permitem-nos aceder às publicações e descobertas mais inovadoras de forma muito rápida, mas precisaremos sempre da capacidade de avaliar criticamente essa informação e, ao mesmo tempo, ser capazes de conceber e realizar investigação clínica de alta qualidade”.
Erros metodológicos recorrentes que comprometem a prática
A pressa em publicar e a falta de bases sólidas em metodologia têm gerado falhas graves que põem em causa a utilidade de muitos projetos. Um dos erros mais apontados pelos especialistas é a ausência de um planeamento prévio rigoroso antes de passar à fase de campo.
Uma resposta académica para o futuro do setor
Para colmatar esta lacuna formativa e dotar os profissionais de ferramentas que os elevem ao estatuto de geradores de conhecimento e líderes de opinião, a Universidade Complutense de Madrid e a Fundação SEPA uniram esforços para lançar o programa de pós-graduação internacional “Research Methodology in Periodontology, Implant Dentistry and Oral Tissue Regeneration”.
O curso, que decorrerá em regime misto (presencial em Madrid e online) entre janeiro e junho de 2027, pretende ensinar os formandos a desenhar estudos clínicos robustos, dominar a bioestatística e a comunicação científica. De acordo com o Prof. Mariano Sanz, o programa é inédito e pioneiro à escala global: “O futuro da Medicina Dentária dependerá cada vez mais de profissionais capazes de combinar excelência clínica, pensamento crítico e conhecimento científico.”

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