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Notícias da Saúde em Portugal 860
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Ordem dos Médicos e SPMS criam grupo de trabalho para reforçar acompanhamento dos sistemas de informação do SNS
OM
Depois de a Ordem dos Médicos ter solicitado esclarecimentos urgentes aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), na sequência das perturbações significativas que se têm registado no último mês nos sistemas informáticos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), as duas instituições reuniram esta semana. Nesse encontro foi decidida a criação de um grupo de trabalho para acompanhamento e melhoria do funcionamento dos sistemas de informação no SNS e para identificar oportunidades de melhoria na sua resposta e fiabilidade.
Esta decisão foi tomada numa reunião realizada na passada quarta-feira, 17 de junho de 2026, entre o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, e responsáveis dos SPMS, na sequência das falhas registadas recentemente nos sistemas informáticos do SNS e da interpelação formal da OM, que solicitou esclarecimentos urgentes sobre os constrangimentos causados pelas falhas ocorridas, as quais provocaram constrangimentos no acesso a vários serviços e plataformas informáticas utilizados pelos profissionais de saúde e originam riscos para a segurança dos doentes. “Está situação está fechada, mas o que é relevante nessa reunião é a perspetiva desta colaboração estreita entre os SPMS e a OM. Saio com grande expectativa em relação ao que combinamos”, afirmou o bastonário.
Segundo Carlos Cortes, o encontro decorreu com um “espírito muito interessante” e permitiu estabelecer uma nova forma de articulação entre as duas entidades. O grupo de trabalho agora criado terá como missão “identificar todos os problemas e todas as sugestões que possam existir” relativamente aos sistemas de informação geridos pelos SPMS, recolhendo contributos e acompanhando a sua evolução.
Ficou igualmente acordada a realização de reuniões regulares, com periodicidade bimestral, a partir de setembro. Em situações de maior gravidade, semelhantes à verificada na semana passada, será também criado um mecanismo de contacto direto entre as lideranças das duas instituições.

Entre os sistemas mais afetados esteve a prescrição eletrónica de medicamentos, uma ferramenta utilizada diariamente por milhares de médicos e essencial para a emissão de receitas em todo o país.
Durante a reunião, os SPMS transmitiram ainda informação sobre o reforço da infraestrutura tecnológica do SNS, nomeadamente através da entrada em funcionamento de um novo centro de dados em Évora. De acordo com a informação avançada, esta infraestrutura deverá permitir redundância em tempo real com o centro de dados atualmente localizado no Porto, reforçando a resiliência dos sistemas perante eventuais falhas.
“O novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente”.
A Ordem dos Médicos continuará a acompanhar a evolução desta matéria, defendendo que a robustez dos sistemas de informação e a existência de mecanismos eficazes de comunicação são essenciais para garantir a segurança dos doentes e as condições necessárias ao exercício da atividade médica.
ERS reúne com prestadores públicos para esclarecer declaração de conformidade no licenciamento
ERS
A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) promoveu, nos dias 16 e 17 de junho, reuniões de trabalho com várias Unidades Locais de Saúde (ULS) das regiões Norte e Centro, bem como com os Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) do Porto e de Coimbra. Estas reuniões decorreram nas instalações da ERS e centraram-se na aplicação do procedimento de declaração de conformidade previsto no Regime Jurídico do Licenciamento dos prestadores de cuidados de saúde.
A iniciativa surge na sequência da publicação da Portaria n.º 237/2024/1, de 1 de outubro, entretanto atualizada pela Portaria n.º 450/2025/1, de 19 de dezembro, que estabelece os requisitos de abertura e funcionamento destes estabelecimentos, assim como o procedimento para obtenção da declaração de conformidade por entidades públicas.
Durante as sessões, a ERS prestou esclarecimentos sobre os procedimentos e formalismos administrativos aplicáveis, no âmbito dos regimes jurídicos do registo e do licenciamento.
Está, ainda, prevista para 25 de junho, em Lisboa, uma reunião de natureza semelhante com as ULS de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, bem como com o IPO de Lisboa.

Médicos vão poder prescrever fisioterapia em casa com recurso a inteligência artificial
JN
Nove Unidades Locais de Saúde (ULS) do país vão poder prescrever, a partir da próxima segunda-feira, dispositivos, como tablets, para ajudar os utentes a fazer fisioterapia em casa com recurso à inteligência artificial.
"Não é o utente que vai ao centro clínico, é o centro clínico que vai ao utente", disse o presidente e fundador da empresa de cuidados médicos com IA "Sword Health" internacional, Virgílio Bento.
Este modelo da empresa portuguesa "Sword Health", que poderá expandir-se a outras ULS se requisitarem a tecnologia, consiste num tablet fisioterapeuta que dá indicações aos utentes sobre como fazer a sua reabilitação musculoesquelética, recorrendo à inteligência artificial.
A fisioterapia musculoesquelética foca-se no tratamento de disfunções ou doenças dos sistemas musculares, articulares, ósseos e tendinosos (tendões).
Caso exista algum erro ou uma falha é possível através do dispositivo contactar uma equipa clínica que está sempre disponível para intervir, segundo Virgílio Bento.
O responsável disse que o tablet é disponibilizado aos utentes através de uma prescrição médica e que chega "bastante rápido" a casa do utente, frisando que há certas questões que continuam a ser tratadas presencialmente pelos médicos.
Virgílio Bento estima que, com esta tecnologia, as listas de espera para consultas de fisioterapia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) possam reduzir em 97% e consigam uma poupança de 45%.
A ULS Cova da Beira foi a primeira a disponibilizar os dispositivos aos utentes, no ano passado.
"Foi possível reduzir significativamente o número de utentes com estas condições em lista de espera ", declarou o presidente do conselho de administração da ULS Cova da Beira, João Marques Gomes.
De acordo com João Marques, o tempo médio de espera para o início da fisioterapia nesta ULS passou de dois anos para 10 dias após a referenciação hospitalar.

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, presente no evento, disse que a inteligência artificial não será a solução para todos os problemas, mas vai contribuir para uma maior acessibilidade a cuidados de saúde no país.
Já o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, após ser questionado pelos jornalistas no final do evento sobre o motivo pela qual o novo centro de dados do SNS, previsto para entrar em funcionamento em 2023, ainda estar inativo, respondeu que "o centro de dados tem desafios do ponto de vista tecnológico que são relevantes".
Fonte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) anunciou na passada terça-feira à Lusa que o SNS vai dispor de um novo centro de dados até final deste ano, que vai assegurar, a partir de Évora, uma redundância em tempo real com o `data center´ que funciona atualmente no Porto.
No entanto, no final de 2022, o presidente dos SPMS já tinha anunciado que os servidores do"data center" de Évora seriam instalados até ao final do primeiro trimestre de 2023, funcionando a redundância a partir dos meses seguintes.
"O novo centro de dados vai permitir redundância em tempo real. Se houver uma falha num centro de dados, o outro iniciará o funcionamento imediatamente", adiantou a fonte dos SPMS, entidade que gere todos os sistemas de informação e infraestruturas tecnológicas do SNS.
Na passada sexta-feira, uma falha de energia causou perturbações no acesso a serviços e sistemas de informação do SNS, que foram sendo progressivamente repostos, mas alguns constrangimentos temporários continuaram a verificar-se nos dias seguintes.
MedSUPPORT | Testemunho da semana
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SNS vai receitar novos medicamentos para cancro no cérebro e doença neurodegenerativa
JN
Dois medicamentos para doença neurodegenerativa e cancro do cérebro vão poder ser receitados no âmbito do Serviço Nacional de Saúde (SNS), com a conclusão do processo de avaliação pelo Infarmed.
Num comunicado o Infarmed (Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde) diz ter concluído os processos de avaliação e negociação dos medicamentos Skyclarys e Voranigo, "criando as condições para a sua utilização plena" no âmbito do SNS.
Segundo o Infarmed, trata-se dos medicamentos Skyclarys e Voranigo, o primeiro para tratar uma doença rara, a ataxia de Friedreich, e o segundo para tratar doentes com tipos específicos de cancros no cérebro.

O Infarmed precisa que o medicamento órfão (especificamente para doenças raras) Skyclarys, cuja substância ativa é a omaveloxolona, é indicado no tratamento da ataxia de Friedreich em adultos e adolescentes com idade igual ou superior a 16 anos. A doença, de causa genética, causa danos progressivos no sistema nervoso e problemas de movimento.
O Voranigo tem como substância ativa o vorasidenib e é indicado no tratamento de doentes adultos e adolescentes com astrocitoma ou oligodendroglioma de Grau 2. São tipos de cancros do cérebro e o medicamento "ajuda a retardar ou impedir o crescimento do cancro em determinadas circunstâncias", explica o Infarmed no comunicado divulgado na passada quinta-feira.
A conclusão dos processos foi aprovada no passado dia 12 e os medicamentos foram autorizados na passada quarta-feira. O processo do Skyclarys começou em março de 2024 e o do Voranigo em dezembro de 2025.

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