OBSERVADOR
Cafeína atenua os efeitos da obesidade no cérebro, conclui estudo da NOVA Medical School
Um estudo liderado por Sílvia Conde, investigadora principal da NOVA Medical School, estabelece pela primeira vez uma relação direta entre o consumo de cafeína e a diminuição dos efeitos da obesidade no cérebro — perda de memória, aprendizagem e outras funções cognitivas. O trabalho foi publicado na revista Pharmacological Research.
A investigação foi feita em animais: 31 ratos Wistar machos, divididos em três grupos. Um recebeu alimentação normal, outro foi submetido durante 25 semanas a uma dieta rica em gordura e açúcar, e um terceiro recebeu a mesma dieta com administração de cafeína na água nas últimas 11 semanas.
Os animais sujeitos à dieta hipercalórica desenvolveram maior ganho de peso, resistência à insulina e pior desempenho em testes de memória, a par de marcadores de neuroinflamação. Nos que receberam cafeína verificou-se atenuação de várias destas alterações. Os autores sublinham que os resultados poderão contribuir para futuras investigações sobre prevenção do declínio cognitivo associado à obesidade, caso venham a ser confirmados em estudos clínicos.

SAÚDE+
Rastreios gratuitos do cancro da pele nas praias até 29 de agosto
A Liga Portuguesa Contra o Cancro promove até 29 de agosto rastreios gratuitos do cancro da pele em praias do Algarve, Alentejo e da Grande Lisboa, com aconselhamento sobre proteção contra a radiação solar.
Os rastreios são realizados por dermatologistas, entre as 09:00 e as 18:00, com equipamento que permite analisar sinais e outras alterações na pele. Decorrem nas praias da Manta Rota, dos Pescadores em Albufeira, de Alvor, de Vila Nova de Milfontes, do Moinho de Baixo em Sesimbra (22 de agosto) e Grande, em Sintra (29 de agosto). Em caso de deteção de lesões suspeitas, os participantes são encaminhados para acompanhamento hospitalar.
Em 2025, nos mesmos moldes, foram realizados 510 rastreios, com identificação de 55 lesões pré-malignas e 38 lesões malignas. Números que, segundo o Núcleo Regional do Sul da Liga, reforçam a importância do diagnóstico precoce.

ENTIDADE REGULADORA DA SAÚDE
Radiologia convencionada: 135,6 milhões de euros em 2025 e 154 concelhos sem oferta
A ERS divulgou a monitorização do setor convencionado de radiologia relativa a 2024 e 2025. É a quarta área convencionada com maior peso nos encargos do SNS, e a despesa subiu 3,2% no ano passado, para 135,6 milhões de euros. O crescimento verificou-se em Lisboa e Vale do Tejo, Norte e Centro; houve reduções no Alentejo e no Algarve.
No início deste ano estavam registados no Sistema de Registo de Estabelecimentos Regulados da ERS 795 estabelecimentos com atividade em radiologia, mais 11% do que em 2024, sendo 670 deles não públicos — privados, cooperativos e sociais. Quase metade da oferta não pública era convencionada.
O dado mais relevante é o da cobertura: não havia oferta não pública convencionada em 154 concelhos, abrangendo 15,4% da população do continente. A ERS estima que o tempo mínimo de deslocação até ao concelho mais próximo com oferta variava entre 13 minutos, em Lisboa e Vale do Tejo, e quase duas horas no Alentejo. Apesar do aumento dos encargos, as requisições por mil habitantes caíram 4,8%.

O JORNALDENTISTRY
Inteligência artificial na medicina dentária: o mercado europeu amadurece sob o MDR
Entre 2023 e 2026, o mercado europeu assistiu à consolidação de várias plataformas de inteligência artificial certificadas ao abrigo do Regulamento Europeu dos Dispositivos Médicos. São hoje usadas no apoio ao diagnóstico radiográfico, no planeamento de tratamentos e na comunicação com os utentes.
O enquadramento é o do Regulamento (UE) 2017/745. Os sistemas destinados a utilização clínica na União Europeia têm de cumprir requisitos de segurança, desempenho clínico, gestão do risco e vigilância pós-comercialização antes de obterem a marcação CE. Funcionam como sistemas de apoio à decisão clínica: a responsabilidade pelo diagnóstico e pelo plano de tratamento permanece no profissional.
A maioria das soluções é comercializada em regime de subscrição mensal, com custos que variam consoante o número de utilizadores, o volume de exames e as funcionalidades contratadas. A próxima geração de plataformas começa a ultrapassar a análise de imagem, com transcrição automática da consulta, elaboração assistida de relatórios e automatização de tarefas administrativas.

OBSERVADOR
Promulgada a carreira especial de médico dentista no SNS
O Presidente da República promulgou a criação da carreira especial de médico dentista no Serviço Nacional de Saúde, aprovada este mês no parlamento por unanimidade. O diploma entra em vigor no próximo ano, com a aprovação do Orçamento do Estado.
Até agora, por falta de carreira específica, a maioria dos cerca de 150 médicos dentistas que trabalham no setor público era contratada pelas unidades locais de saúde como prestadores de serviços; os restantes estavam colocados em carreiras gerais, como a de técnico superior. Passam a estar integrados, preferencialmente, nos serviços de saúde oral das ULS, numa carreira com três categorias: assistente, assessor e assessor sénior.
As posições e remunerações serão fixadas por regulamentação coletiva de trabalho, atendendo à natureza especial da carreira e à necessidade de atração e retenção de profissionais no SNS. A Ordem dos Médicos Dentistas considerou a medida um avanço decisivo, sublinhando que o seu impacto real dependerá da execução.

